BNDES
aumenta projeções de investimento para R$ 1,2
trilhão nos próximos quatro anos
Rio de Janeiro - O Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) atualizou as projeções
de investimentos no Brasil e apurou que eles atingirão
R$ 1,213 trilhão entre 2008 e 2011, com crescimento de
11,8% ao ano. Isso representa 15,5% a mais que a estimativa
anterior, de R$ 1,049 trilhão entre 2007 e 2010.
Na avaliação do presidente do BNDES, Luciano Coutinho,
os dados confirmam que há um ciclo importante de investimentos
em curso no país. “Mais do que um ciclo robusto,
esse ciclo parece estar em fase ainda de aceleração”,
declarou.
Segundo Coutinho, os números demonstram que a confiança
no crescimento sustentado tem resistido às turbulências
na economia internacional provocadas pela crise no mercado imobiliário
norte-americano. Ele disse que a economia brasileira tem condições
de sustentar o crescimento nos próximos três anos,
apesar das incertezas.
O estudo do BNDES toma por base 16 grandes cadeias produtivas
que respondem por 53% da formação bruta de capital
fixo (investimentos) na economia. A proporção
maior de investimentos está na indústria e na
infra-estrutura (70% cada). O painel inclui o mapeamento de
projetos em estudo pelo banco e baseia-se em estudos realizados
pelo próprio banco e em informações obtidas
com as empresas públicas e privadas.
A maior taxa de crescimento anual é esperada no setor
de infra-estrutura (13% ao ano entre 2008 e 2011), com recursos
de R$ 231,7 bilhões. O destaque nesse setor é
para os investimentos em energia elétrica, com investimentos
de R$ 101 bilhões e crescimento de 19,8% por ano. O saneamento
responderá por R$ 48 bilhões (crescimento anual
de 29%). Os investimentos em ferrovias somarão R$ 19,9
bilhões (crescimento de 16,8%) e os portos responderão
por R$ 6,8 bilhões (crescimento de 18,7%).
O maior volume de investimentos nos próximos quatro anos,
no entanto, irão para a área de construção
residencial, que responderá por R$ 535 bilhões
e terá crescimento anual de 10,7%. Segundo Coutinho,
o fenômeno deve-se à melhoria do crédito
habitacional e ao aumento da renda real dos trabalhadores, além
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC),
que dá prioridade para a construção de
moradias de baixa renda.
Os investimentos na indústria deverão somar R$
447 bilhões – crescimento de 12,4% ao ano. Nessa
área, os destaques são petróleo e gás,
com investimentos de R$ 202,8 bilhões e crescimento anual
de 9,9%, e extração mineral, com R$ 81,3 bilhões
de investimentos e alta de 16,4% ao ano. Coutinho salientou
que a atração de investimentos para esses setores
está ligada à expansão do mercado internacional.
Para o presidente do BNDES, mesmo que a economia mundial não
cresça bem, os projetos de infra-estrutura não
deverão ser afetados. “Os investimentos, na verdade,
estão respondendo à demanda reprimida”,
destacou Coutinho. Segundo ele, a maior demanda reprimida é
registrada no saneamento.
Coutinho afirmou ainda que o investimento lidera o crescimento
do Produto Interno Bruto (PIB) desde 2005: “São
23 trimestres consecutivos de crescimento do PIB e 15 trimestres
em que a formação de capital cresce mais rápido
do que o PIB. É isso que tem feito com que a taxa de
formação de capital total sobre o PIB esteja subindo”.
Fonte: Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil